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PINTURA THANGKA

Tradicionalmente, as thangkas não são apenas valorizadas pela beleza estética, mas principalmente pela função que exercem como apoio em práticas meditativas. Praticantes utilizam as thangkas para desenvolver uma nítida visualização de uma deidade em particular; fortalecendo a concentração e estabelecendo uma conexão entre si e a deidade.

Historicamente, as thangkas também eram utilizadas como ferramentas para retratar as vidas de vários mestres. Um professor ou um lama carregava consigo rolos de thangkas para ilustrar suas histórias enquanto realizava suas viagens para dar palestras sobre o dharma.

A arte sagrada das pinturas thangkas remonta o século VII. Originária do Nepal, a arte evoluiu gerando diversas escolas de pintura. A mais popular que está sendo praticada é a escola Menri, que se caracteriza por cores vivas e um foco na figura central que é rodeada por eventos ou por pessoas significativas para a vida dela.

As deidades apresentadas nas pinturas thangkas são geralmente representações de visões que apareceram para grandes mestres espirituais em momentos de realização, os quais foram então registrados e incorporados nas escrituras budistas. As proporções são consideradas sagradas não apenas por serem representações precisas das deidades budistas, mas por serem também a expressão visual de realizações espirituais que ocorreram no momento de uma visão.

As thangkas são, portanto, um meio bidimensional de ilustrar uma realidade espiritual multidimensional. Praticantes utilizam as thangkas como uma espécie de mapa do caminho para guia-los até o insight original do mestre. Esse mapa tem que ser preciso e é responsabilidade do artista garantir isso para que a thangka seja considerada autêntica, ou para que seja útil como apoio para a prática budista, guiando o indivíduo até o lugar adequado.

Na medida em que as thangkas não são o produto da imaginação do artista, mas sim um trabalho executado de forma tão cuidadosa quanto o desenho de uma planta baixa, o papel do artista é um pouco diferente daquele papel de inventor que é conhecido no Ocidente. O papel do artista torna-se aquele de um meio ou um de canal, que se coloca acima de sua consciência mundana para trazer uma verdade mais elevada para esse mundo. Para garantir que essa verdade permaneça intacta, ele deve aderir diligentemente a todas as diretrizes corretas.

Aspirantes a artistas de thangkas devem passar anos estudando as linhas de grades da iconografia e as proporções das diferentes deidades para só depois dominar a técnica de misturar e aplicar os pigmentos minerais.

Para fazer uma thangka, primeiro um pedaço de tecido é costurado em uma moldura de madeira. A tela é preparada com um mistura de giz, gesso e um pigmento base, que é esfregada suavemente com um frasco de vidro até que a textura não fique mais visível. O desenho da deidade é esboçado em lápis em cima da tela usando linhas de grade iconográficas, e, depois, o esboço é contornado com tinta preta. Pós, compostos de minerais e de pigmentos orgânicos moídos são misturados com água e cola para criar a tinta. Alguns dos elementos utilizados são bem preciosos, como o lápis-lazuli, para o azul escuro. Os elementos do plano de fundo são esfumados e aplica-se o sombreamento usando tanto técnicas com o pincel molhado quanto com o pincel seco. Por fim, uma tinta de ouro puro é adicionada e a thangka é emoldurada em uma preciosa moldura em relevo. Uma thangka padrão, que mede aproximadamente 45 x 30 cm, leva cerca de seis semanas para ser concluída.

Hoje em dia, está se tornando cada vez mais raro encontrar thangkas autênticas por causa do tempo que leva para aprender essa técnica e para criar uma pintura adequada. Contudo, existem alguns institutos comprometidos com a preservação da técnica de pintura de thangkas em sua forma tradicional.

Além de ser um apoio para práticas espirituais, encomendar uma thangka é considerado uma forma de gerar méritos espirituais. E, muitas vezes, se um indivíduo está enfrentando algum tipo de dificuldade, um lama é consultado e pode recomendar a produção de uma thangka de uma deidade específica, como um remédio. O artista então elabora a thangka com base nas dimensões das deidades que estão detalhadas nas escrituras, seguindo a receita do lama. Criar essas thangkas exclusivas requer extensa pesquisa, especialmente considerando que as representações que explicam as proporções de cada deidade não estão compiladas em um único texto. Elas são encontradas em diferentes volumes entre as centenas de volumes de escrituras budistas.

Além disso, alguns textos não podem ser tocados a não ser se o indivíduo tiver recebido todas as iniciações adequadas para aquela deidade específica.

*Artigo adaptado e traduzido do site do Instituto Norbulingka (http://www.norbulingka.org/thangka-painting.html).