Acervo cultural · Movimento global pelo Tibete
O movimento global pelo Tibete
Um movimento não violento
Ao longo das últimas seis décadas no exílio, a Administração Central Tibetana (CTA) e o povo tibetano, sob a liderança de Sua Santidade o Dalai Lama, vêm conduzindo um movimento não violento para recuperar a liberdade e a dignidade perdidas. A luta tibetana por liberdade, baseada na verdade, na justiça e na não violência, e o trabalho dedicado do povo tibetano despertaram um interesse intenso e ativo pelo Tibete em pessoas de todas as camadas sociais no mundo inteiro. Como consequência, nas últimas duas décadas, foram formados em todo o mundo numerosos Grupos de Apoio ao Tibete (TSGs), que deram um grande impulso ao movimento internacional de apoio ao Tibete. Esses grupos são formados voluntariamente e trabalham em estreita cooperação com o povo tibetano, mas são independentes da CTA. Eles ajudaram a aumentar a conscientização sobre a situação no Tibete e a gerar um apoio mundial impressionante à causa tibetana.
Os Grupos de Apoio ao Tibete (TSGs)
Os Grupos de Apoio ao Tibete (TSGs) são organizações não governamentais formadas voluntariamente por indivíduos para apoiar o movimento de liberdade do povo tibetano por meio de diversas ações não violentas. Os TSGs conscientizam sobre a questão do Tibete nos níveis regional, nacional e internacional e realizam ações concretas para mobilizar apoio aos direitos e às aspirações legítimas do povo tibetano. Para isso, atuam de forma independente da Administração Central Tibetana, sediada em Dharamsala, Índia, reconhecendo e levando em conta suas políticas e iniciativas para a resolução da questão tibetana por meio de uma negociação pacífica.
Hoje há mais de 250 grupos em dezenas de países, além de cerca de 60 associações de comunidades tibetanas. A lista completa pode ser consultada na página original.
Um movimento que cresceu
O apoio ao Tibete chegou a uma etapa crítica. O movimento em favor do Tibete, em constante expansão, passou a envolver mais países. Na Primeira Reunião de Grupos de Apoio ao Tibete, realizada em Dharamsala em 1990, havia delegados de 25 países. Delegados de 56 países participaram da Segunda Reunião, realizada em Bonn, Alemanha, em 1996. Desde então, o número de apoiadores do Tibete cresceu muito. A entrada de jovens no movimento, com a fundação dos Students for a Free Tibet nos Estados Unidos em 1994, levou a uma participação maior na Terceira Reunião, realizada em Berlim, Alemanha, em maio de 2000, com 283 apoiadores do Tibete presentes.
Enquanto delegados de 47 países, incluindo 12 chineses, participaram da Quarta Conferência Internacional de Grupos de Apoio ao Tibete, realizada em Praga, República Tcheca, em outubro de 2003, a Quinta Conferência reuniu o maior número de delegados: 306, incluindo 13 chineses, vindos de 52 países diferentes. Houve delegados de 57 países na Sexta Conferência, realizada em Haryana, Índia, em novembro de 2010. A Sétima Conferência de Grupos de Apoio ao Tibete foi realizada em Bruxelas, no coração da União Europeia, em 2016, com 250 participantes de 50 países e a participação de 29 advogados, acadêmicos e ativistas de direitos humanos chineses em suas deliberações, o que a CTA considera uma expressão da solidariedade crescente entre o povo chinês e o povo tibetano. O número crescente de apoiadores mostra claramente o amplo apoio ao movimento pelo Tibete no mundo.
O movimento dos Grupos de Apoio ao Tibete tornou-se tão estrategicamente eficaz que nenhum governo pode mais ignorá-lo. Uma medida de sua eficácia pode ser vista na reação do governo de Pequim a cada reunião dos Grupos de Apoio ao Tibete. Desde 1990, Pequim vem fazendo todos os esforços, sem sucesso, para impedir essas importantes reuniões históricas.
Na propaganda oficial chinesa, os apoiadores do Tibete são rotineiramente chamados de “forças ocidentais hostis”, e o movimento pelo Tibete como um todo é rotulado de “movimento separatista” apoiado por “forças imperialistas ocidentais”. No entanto, a realidade é que os apoiadores do Tibete estão longe de ser hostis a Pequim. Os membros dos Grupos de Apoio ao Tibete pertencem a uma grande diversidade de países, origens culturais e denominações ideológicas. De fato, o Tibete hoje também conta com o apoio de um número considerável de chineses, que contribuem significativamente para a causa tibetana. O que une esses apoiadores é a convicção comum de que a liberdade, a justiça e a dignidade humana são direitos de nascença de todo ser humano.
Sua Santidade o Dalai Lama afirmou que é natural que os seres humanos sintam compaixão e solidariedade quando veem seus semelhantes sofrer. Os membros dos Grupos de Apoio ao Tibete assumiram para si a responsabilidade universal de trabalhar pela dignidade e pela liberdade do povo tibetano.
A convivência do povo tibetano com os apoiadores internacionais do Tibete ao longo dos anos reforçou sua crença budista no espírito de não violência e perdão, inclusive em relação à China. Essa convivência também revigorou o senso de otimismo quanto ao futuro do Tibete e do mundo. Assim como a verdade e a justiça devem triunfar no fim, o povo tibetano acredita que o Tibete recuperará sua liberdade perdida mais cedo do que tarde. Quando esse momento chegar, os tibetanos lembrarão da contribuição constante e comprometida dos apoiadores do Tibete. Os próprios tibetanos, sob a liderança de Sua Santidade o Dalai Lama, dedicarão suas vidas e ações à causa da paz, da justiça e da liberdade para todos neste mundo.
Conferências e convenções
As Conferências Internacionais de Grupos de Apoio ao Tibete reúnem os grupos desde 1990, quando a primeira foi realizada em Dharamsala. As seguintes aconteceram em Bonn (1996), Berlim (2000), Praga (2003), Bruxelas (2007), Surajkund, na Índia (2010), Dharamsala (2019) e novamente em Bruxelas (2024), entre outras reuniões especiais.
As Convenções Mundiais de Parlamentares sobre o Tibete (WPCT) reúnem legisladores de vários países desde 1994, quando a primeira foi realizada em Nova Délhi. A nona edição aconteceu em Tóquio, em 2025.
O Setor de TSGs da Administração Central Tibetana
As principais funções do Setor de TSGs do Departamento de Informação e Relações Internacionais (DIIR) da Administração Central Tibetana, sediado em Dharamsala, no norte da Índia, são:
- Informar os TSGs sobre as políticas e iniciativas da CTA.
- Informar os TSGs sobre o Tibete e as comunidades tibetanas no exílio.
- Interagir com os membros dos TSGs e coordenar seu programa durante as visitas a Dharamsala.
- Atuar como observador no Comitê Diretor da ITSN.
- Facilitar conferências internacionais dos TSGs.
- Manter registros das campanhas e atividades dos TSGs e apresentar relatórios anuais sobre o estado do movimento mundial pelo Tibete.
O que os grupos fazem
Entre as ações e campanhas discutidas pelos grupos de apoio nas conferências internacionais, estão:
Ação em direitos humanos
- Ações conjuntas e individuais de governos em defesa da liberdade religiosa, em especial contra as demolições em Larung Gar, situação que a imprensa internacional levou ao conhecimento do mundo.
- Ações judiciais em tribunais nacionais com base na jurisdição universal.
- Expressão de solidariedade ao movimento de resistência da identidade cultural e nacional no Tibete.
- Ação sobre direitos linguísticos nas Nações Unidas.
- Incluir a libertação do Panchen Lama na pauta de uma cúpula presidencial entre EUA e China.
Resgate da verdade
- Agir contra a agenda política dos Institutos Confúcio e contra a obstrução da liberdade acadêmica.
- Incluir o levante nacional tibetano de 1959 na lista de patrimônio Memória do Mundo da UNESCO.
- Criar um sistema para oferecer informações corretas sobre o Tibete nos sites da Wikipédia.
Aproximação com o público chinês
- Traduzir depoimentos e histórias pessoais de tibetanos para distribuição em chinês.
- Criar um sistema para oferecer informações corretas sobre o Tibete nas versões em chinês da Wikipédia.
Ação ambiental
- Pressionar todos os países afetados, em especial a RPC, a firmar um acordo de partilha das águas que nascem no Planalto Tibetano.
- Persuadir a RPC a permitir que os tibetanos atuem como guardiões do Planalto Tibetano, para desacelerar a mudança climática em benefício global.
- Levar a RPC a implementar com seriedade a proteção ambiental do Planalto Tibetano por meio de dispositivos favoráveis de suas leis ambientais.
Fonte: tibet.net, site da Administração Central Tibetana. Tradução e adaptação para o português pela Tibet House Brasil. O texto reflete a posição da Administração Central Tibetana.