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Extraído da palestra concedida no dia 23/07/2018 na Tibet House Brasil
“Tong” em tibetano significa “dar” e “Len” significa “receber”. Essas duas palavras juntas no contexto da prática significam “dar movido por amor e receber movido por compaixão”. Portanto, a prática principal é a prática do amor e da compaixão. Isso é chamado de meditação Tonglen.
Não estamos falando apenas de compaixão para com seus próprios filhos e família. Nesse caso, estamos falando de compaixão universal, especialmente para com seus inimigos, as pessoas que nos provocam aversão, essas que nos ajudam a exercitar a compaixão. Mudar esse tipo de mente, que flutua entre apego e aversão, não é fácil. Sem a compreensão profunda do amor e da compaixão, as práticas permanecerão na superfície de nossas mentes e não provocarão transformações profundas. Por isso, para ir ao nível mais profundo, temos que primeiro entender como devemos começar, gradualmente.

Geshe Phende na Tibet House Brasil
Primeiro precisamos entender a natureza do problema: Por que é tão difícil sentir amor por todos? Por que é difícil sentir compaixão por todos, especificamente por nossos inimigos? Qual é o obstáculo nesse sentido? É o egoísmo. No entanto, sabemos que é possível diminuir e até mesmo erradicar esse tipo de mente. Existem seres muito realizados, conhecidos como Bodhisattvas na tradição do Budismo Mahayana, que conduzem suas vidas movidos por uma mente altruísta. Então, qual é a diferença entre tais seres e nós? A diferença é profunda, mas simples de entender. Nós, seres pouco cultivados, temos uma mente egocêntrica, egoísta. Tal mente egoísta é quem cria os impecílios para o amor altruísta. Dessa forma, cai por terra a tese de que a maldade decorre dos outros ou de que há algo inerentemente errado sobre o mundo. O problema está no nosso próprio egocentrismo. Porém, diminuir e eventualmente erradicar esse egocentrismo também é muito difícil, pois vivemos com esse tipo de mente desde nosso nascimento. Como budistas, acreditamos em vidas passadas, isso significa que na perspectiva budista o egocentrismo tem nos influenciado por infindáveis existências. Dessa forma, a mente egocêntrica nos influencia muito fortemente e ela acaba se tornando totalmente predominante em nós. Reduzir essa tendência autocentrada e se livrar dela é muito difícil, mas podemos mudá-la, podemos pará-la. Mas como devemos fazer isso? Fazemos isso através da meditação Tonglen.
A questão agora é como podemos desenvolver essa meditação Tonglen? Primeiro você deve se olhar. Sempre que você pensa em si mesmo, se entende como alguém importante. Nós nos amamos. Mas, muitas vezes, somos capazes de ignorar os outros. Essa é a natureza da mente autocentrada. O “eu” está sempre se sentindo importante. Para mudar esse tipo de tendência egocêntrica é necessário praticar de forma gradual e estruturada, não é possível mudar da noite para o dia.

Geshe Phende
O primeiro passo é a (I) meditação sobre a equanimidade. Existem muitos tipos de meditação sobre a equanimidade. O sistema adotado aqui é o de Shantideva baseado na tese de que “Eu e os outros somos iguais”. Nessa prática, contemplamos as características fundamentais que fazem de nós seres igualmente dotados de direitos e deveres. Em seguida, no segundo passo, quando você chegar a esse nível de compreensão equânime sobre a realidade, é hora de (II) contemplar as desvantagens do egoísmo. Aqui, não estamos observando o egoísmo alheio, mas sim o nosso. Não é sobre “o quão egoísta é o meu chefe”, mas sim sobre reconhecer que “eu tenho tendência egoísta e essa me traz inúmeros problemas”. O terceiro passo inclui a necessidade de (III) contemplar as vantagens advindas do altruísmo. Através do altruísmo ampliamos nossas mentes e visões de mundo. Finalmente, depois de compreender as desvantagens resultantes do egoísmo e as vantagens decorrentes da conduta amorosa e compassiva, devemos construir a (IV) convicção de que é possível transformar a mente para melhor. Essa convicção vem da constatação de que a natureza de nossas mentes é clara e luminosa e nossas aflições são fenomenos exteriores. Todas as etapas mencionadas estão baseadas em raciocínio, análise e avaliação das ideias, teses e da realidade que nos cerca. Não estamos falando de um processo de adoção de visões alheias ou de aquisição através da fé cega, não refletida. Trata-se de um processo onde o práticante é o protagonista no treino de sua própria mente.
Caso o praticante não tenha chegado a esse ponto, que é fruto das reflexões sistemáticas conforme descritas anteriormente, Tonglen será apenas mais uma prática, sem fundamentos e, portanto, não virá do seu coração. Muitos praticantes desejam praticar os ensinamentos tidos como superiores como Dzogchen ou Mahamudra, mas sem os fundamentos conceituais, o resultado de tais práticas é vazio, inócuo.
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